A Apóllo pedindo a Lyra,
Que só para isto invéjo,
Chamára das frias grutas
As loiras Filhas do Téjo;
Que escutando o som divino
Entre as húmidas moradas,
E levantando nas ondas
Suas cabeças doiradas;
De tal Hospede soberbas
O lenho rodearião;
E as aguas co'branco peito
A' porfia lhe abririão;
O fatídico Protêo,
Cheio de saber divino,
Revelára ao novo Heróe
Os segredos do Destino;
Famozas acções cantára,
Levantando a sábia voz,
Moldadas sobre as historias
Dos Augustos Pais, e Avós:
Mas, Senhor, a minha Muza
Sem tino ao ar se remonta;
E vai-se mettendo em obra,
De que não póde dar conta;
Esta levantada empreza
Até a Boileau deo sustos;
Dizia que só Virgilios
Podião louvar Augustos;
He queimar-lhe baixo incenso,
Cansallo com Versos frios;
Amor respeitoso, e votos
Serão os meus elogios:
Vós, Illustre Villa Verde,
Com quem sempre me hei achado,
Fazei que seja o meu nome
A seus ouvidos levado;
Se lhe der acolhimento,
Sigamos de Horacio as traças,
Façamos que a par das Muzas
Marchem as rizonhas Graças;