Vossa bondade não quer
Pôr o Cortezão em risco,
De ir com Habito de Christo,
E vir no de S. Francisco;

Acceitai dahi meus votos;
Daqui a mão vos beijei;
E dos doces que não como,
Domingo me vingarei;

Darei escumantes copos
Ao perum, e aos môlhos seus;
Brindarei os vossos Annos,
Tratando mui bem dos meus.

CARTA.

Aconselhando a hum Cebelleireiro, que não continuasse a fazer Versos.

Pois que o talento inquieto
Até em poezia provas,
E queres ás mais desgraças
Ajuntar desgraças novas;

Pois, que em galantes cantigas
Teu Rival puzeste razo,
E coroado de trovas
Vás entrando no Parnazo,

Quero em trovas avizar-te,
Que ha baixîos nesta barra;
Vou ser Prégador trovista,
Vou ser hum novo Bandarra;

A occupação de Poeta
He nobre por natureza;
Mas todo o Officio tem ossos,
E os deste são, a pobreza;

Os dentes do bom Camões
Sejão fieis testemunhas;
Muitas vezes esfaimados
Não achárão senão unhas;