Depois que seus frios olhos
Se fechárão no Hospital
Logo as Filhas da Memoria
Lhe erguêrão Busto immortal;

De que serve honra tardia?
Bem sei, que o rifão vem torto;
Mas faz lembrar a cevada,
Que se deo ao asno morto;

Só as Muzas o chorárão;
E o enterro devia ser
Como hoje nos pinta o Lobo
O de João Xavier.

Homéro, o divino Homéro,
Honra de antigas Idades,
Por cujos inuteis ossos
Brigárão sete Cidades;

Doces Versos recitando,
Pela Grecia discorria;
Tinha os Thezouros de Apollo,
E esmola aos homens pedia;

Mas se de Authores antigos
Tens tido pouco exercicio,
Eu te aponto hum bem moderno,
E até do teu mesmo Officio;

Foi este o famozo Quita,
A quem triste fado ordena,
Que a fome lhe traga o pentem,
E da mão lhe tire a penna;

Em quanto na suja banca
Pobre tarefa tecia,
Seu espirito sublime
Sobre o Parnazo se erguia;

Cozendo sobre o joelho
Era dura, falsa cáveira,
A sua alma conversava
Com Bernardes, e Ferreira;

Mil vezes travêssas Muzas
Da baixa obra o desvião;
E mostrando-lhe o tinteiro,
Pós, e banha lhe escondião;