Mas de que servem talentos
A quem nasceo sem ventura?
Vale mais, que cem Sonetos,
A peior penteadura;

Amigo, vamos errados;
Escolhemos muito mal;
He o fado dos Poetas
Não professarem real;

Péga no pardo baralho,
E sobre a cama assentado,
Fisga as biscas conhecidas
Ao parceiro descuidado;

Matando boçaes tafûes,
Vai mexendo os papelinhos;
Nem poupes no cadafalso
As gargantas dos Sobrinhos;

Em lhe vendo huma de seis,
Arma-lhe os laços viscozos;
Antes que lhe caia a xina
Na ceira dos laparozos;

Imita ondados cabellos
Co'rubro lápis na mão;
Estas pinturas dão xina,
As da Poezia, não;

Se em roda de loiras Ninfas
Gyrão em torno teus ais,
Em quanto lhe deres Versos,
Acharás sempre Vestais;

Fallo como exprimentado;
Fallo com peito sincero,
Póde huuma vara de fitta,
Mais que a Ilíada de Homéro;

No sonóro bandolim
Fortuna as armas te deo;
Não ha Dama, que rezista
A' moda do Melibêo;

Toca-lhe mil contradanças;
Mas se não tiverem Dom,
Entre ellas não sevandiges
O Fidalgo Cotilhom;