Nestas coizas he que eu creio;
Poezia he mal fadada;
Assenta, amigo Luiz,
Que nunca servio de nada;

Poucas Damas a conhecem;
Se a pedem, e se a festejão,
Gostão do que não entendem,
Pedem o que não dezejão;

Inda que por moda querem,
Que lhes repitão Versinhos,
Tem por modas de mais gosto
Convulsões, e Jozézinhos;

Huma Venus me pedio,
Por quem inda eu hoje peno,
Que lhe fizesse hum Soneto,
Inda que fosse pequeno;

Dinheiro, invisto dinheiro,
Só em ti he que eu me fundo;
Tens o Direito da força,
És o Tyranno do Mundo;

Amigo, escolhe hum Paralta,
Corpo esbelto, perna teza,
O chapeo tocando as nuvens,
As fivellas á Malteza;

Ornem-lhe loiros canudos,
Pendentes com igualdade,
Tenras faces, onde morão
A Saûde, e a Mocidade;

Chegue á bocca rubicunda
Cheirozo lenço anilado;
Dê bilhetinho discreto,
De huma Novela furtado;

Põe da outra parte hum Ginja,
Fivella de oiro no pé,
Bom vestido de lemiste,
Boa meia grudifé;

Com óculos no nariz,
Mas com a penna na mão,
Assignando vinte letras
Para Londres, e Amsterdão;