SONETO XXXI.
No grão Theatro vejo sempre enchentes:
As cans annosas, os cabellos louros,
Illustradas nações, barbaros Mouros,
Todos da tua voz ficão pendentes.
Que importa que não deixem descendentes
Teus ex-virís deshabitados couros;
Que importa que tu roubes aos vindouros
Se enriqueces, se encantas os presentes?
Não he traição ao sexo feminino;
He só razão quem te elogia, e preza,
Comico Mestre, Musico divino.
Oh nação de harmonia, e de crueza!
O teu ferro nem sempre he assassino:
Não insultou, honrou a natureza.
Achando-se o Author prezo dos bellos olhos de
Marcia.