SONETO XXXII.
Eu vi a Marcia bella, vi Cupido
Com arco, settas, e cruel aljava,
Com impeto sahir de donde estava,
E voar para mim enfurecido.
Fugí; bradei: porém não fui ouvido;
E o tyranno Rapaz que me buscava,
Com huma, e outra setta me atirava,
Até de todo me deixar rendido.
Atou-me as mãos com asperas cadeias,
Sem o mover o sangue que corria
Do roto coração, das rotas veias.
Antes, com frio rizo me dizia:
«E não sabias tu, que Amor receias,
Que nos olhos de Marcia Amor vivia?»
Sobre a Ingratidão de huma Dama.