SONETO XXXIII.
Coração, de que gemes, de que choras?
Que parece tens odio á propria vida!
Se perdeste teu bem, foi mão perdida,
Com te pôr a morrer nada melhoras.
Eu bem sei que a belleza a quem adoras,
Foi-te ingrata, e cruel, foi fementida;
Mas que esperavas tu, se he lei sabida
O mudar-se a Mulher todas as horas.
Socega, Coração, deixa a tristeza;
Quem te mandou querer com fé tão pura,
Quem te mandou mostrar tanta firmeza!
Erraste, tem paciencia, em fim procura
Não fazer por Mulher jámais fineza,
Acharás mais amor, maior ventura.