MOTE.

Por passos sem esperança,
Onde me leva o dezejo?

GLOZA.

Vão pensamento, descança,
Reconhece as forças minhas:
Tu não sabes, que caminhas
Por passos sem esperança?
Junto da corrente mansa
Me pões do dourado Tejo:
Cá de longe o sitio vejo:
Mas não devo hum passo dar,
Que eu não mereço chegar
Onde me leva o dezejo.

MOTE.

Eu já tenho exp'rimentado
As minhas inclinações.

GLOZA.

Que nunca teu doce agrado
De amizade simples passa,
Por minha grande desgraça
Eu já tenho exp'rimentado.
Antes odio declarado,
Que estas equivocações!
Quero as ternas espressões
De que as almas se alimentão:
Com menos não se contentão
As minhas inclinações.

Ao mesmo Mote outra

GLOZA.