«Disse mais o povo insano,
Que perdi de Roma o trilho;
Que fui Sultão soberano;
Que andei cazando meu filho
Segundo o rito Othomano.
«Mas toda a maldade he sua:
Vêm riquezas, e palacio,
Comem-se de inveja crua:
São huns novos cães de Horacio
Ladrando debalde á lua.
«Já se me dá pouco, ou nada
Da sua guerra pequena:
Tenho gente em campo armada,
Tenho Mendoça co'a penna,
E Dom Quixote co'a espada.»
Esta falla, ou outra igual
Acabada, meu Marquez,
Faze rev'rencia formal,
E arrastra os gotozos pés
Para a villa do Pombal.
Nella vive descansado,
Porque as aguas vão serenas;
Sempre Ministro de Estado,
Mandando cousas pequenas
No teu Lopes encostado.
Junto á Estatua vil canalha
Desprende as lingoas tyrannas:
E se esta rude gentalha
Arrancar com mãos profanas
A carrancuda medalha:
Armas em ouro gravadas
Ser-te-hão por mim erigidas,
E por ti mesmo traçadas,
Em sangue humano tingidas,
E com mil leis penduradas.
ODE
Offerecida a SS. MAGESTADES, no dia
da Acclamação da Rainha N. Senhora.
ODE.
Das virtudes guiados
Subí ao alto Throno, oh Reis Augustos;
Nem sempre esquivos fados
Se nos hão de mostrar surdos, e injustos:
Abrem vasto thesouro,