—Mas não se tracta do gato da porteira, o que é preciso ê soccorrer sua ama. Tem a receita para essa limonada?

—Tenho sim, minha senhora, porque eu tinha tenção de ir hontem á botica, devo-a ter ainda na algibeira.

E a menina Adriana mette a mão na algibeira, tira de lá primeiramente algumas passas de uva, e sorri-se dizendo:

—É aquelle toleirão do caixeiro da tenda que sempre me ha de metter alguma coisa no bolso. Por mais que eu lhe diga: Deixe-me socegada, guarde as suas passas, não quero brincadeiras...

—Mas que é da receita? não se tracta agora do que a menina diz ao caixeiro da tenda.

—Ah! deve ser isto!...

Adriana desembrulha um papel e lê o annuncio d’uma loja nova em que se offerecem as fazendas com oitenta por cento de abatimento; depois atira com o papel para o lado, dizendo:

—Ora! fui lá, minha senhora, mas são uns mentirosos, não vendem nada novo, venderam-me umas calças de panno que tinha sido virado.

—Ah! compra calças de panno para si?