—De certo, minha senhora, faço-lhe tomar a limonada que o medico lhe receitou. E isso faz com que a senhora torne a si ao cabo de alguns minutos.
—Pois bem! dê-lhe a tal limonada; ande depressa, porque ella parece soffrer muito, esta pobre Ambrosina. Sabe onde ella tem essa limonada?
—Sei sim, minha senhora, sei, certamente que sei... Ai! Jesus! agora me lembro...
—De que?
—Ai! valha-me Deus! sim, a senhora tinha-me dito hontem que lhe fosse buscar outra garrafa. É verdade... agora me recordo...
—Como? pois não ha limonada em casa?
A creada grave, que tem ido abrir um armario, traz de lá uma garrafa branca, mas que está de todo vasia, e vem mostral-a á amiga de sua ama, dizendo:
—Aqui tem, veja, não lhe minto, não resta nem uma gota.
—E não foi hontem encommendar mais?!...
—Esqueci-me, a culpa é da porteira, que me demorou para me falar do gato quando eu saîa, o gato desappareceu-lhe ha dois dias.