—É então rico, esse senhor?
—Sim, minha senhora. Oh! parece que o sr. Loursain é riquissimo!
Ao nome de Loursain, Ambrosina sente uma viva commoção; apressa-se porém a dominal-a replicando:
—Como se chama esse senhor em casa de quem está a sua amiga?
—Loursain. A senhora conhece-o?
—Não, parecia-me ter ouvido outro nome. E esse sujeito é... viuvo?
—Quer dizer, vive como se o fosse; mas na realidade não o é. Tem ainda a mulher viva. Eu soube tudo isto pela Rosa, de quem elle está loucamente namorado, e com quem estimaria muito casar; mas elle disse-lhe em confidencia: «Eu não posso casar comtigo, Rosa, e tenho muita pena d’isso, porque sou casado e minha mulher ainda é viva, infelizmente; mas, se ella morrer, podes estar descançada, tens a certeza de occupar o seu logar... o teu futuro está seguro.» O que é pena, é que parece que a tal senhora é muito mais moça que o marido; mas, emfim, em todas as edades se morre, não é verdade, minha senhora?
—Certamente. E o amo da sua amiga mora perto d’aqui?
—Sim, minha senhora, na rua Béranger, aquella que faz continuação á nossa. Parece que aquelle senhor tem uma bella casa, n’um segundo andar, do lado da rua, e mobilada no grande chic. O quarto da Rosa é no mesmo pavimento, o que é muito commodo, porque... a senhora bem entende... a Rosa não m’o quiz confessar, mas é como se m’o tivesse dito, demais, ella descuidou-se commigo... o amo trata-a por tu, e...