—Oh! a senhora não quer que eu saia em cabello; diz que não é bonito.
—Mas sua ama não o saberá.
—Perdão, podia alguem encontrar-me e vir dizer-lhe que me viu na rua sem touca! A senhora despedia-me logo: mas esteja descançada, não gasto n’isso muito tempo.
A creada grave corre ao seu quarto, que é nas aguas-furtadas, pega n’uma touca, põe-na na cabeça, vê-se a um espelhinho, mas não fica satisfeita; tira a touca, procura outra no fundo d’uma caixa de papelão, experimenta-a, torna a ver-se ao espelho; depois, passado um momento de hesitação, tira ainda esta e torna a pôr a primeira; d’esta vez contenta-se com ella, e desce emfim os cinco andares, para ir buscar o remedio para sua ama, que tem muito tempo para estar demaiada.
Mas, quando vae passar por deante do cubiculo da porteira, grita-lhe esta:
—Menina Adriana! menina Adriana! ah! uma boa noticia...
—Então o que é, sr.ª Bedou?
—Achei já o meu gato; o pobre Pagnole! Achei-o. Olhe! aqui o tem.
—É verdade; e aonde é que estava?