—Oh! sr. Casimiro... por quem é...

—Deixe-me por minha vez ser-lhe agradavel, a menina consente em me servir de modelo... estou tão contente! Corro a buscar o vinho, volto com elle n’um momento.

E sem attender mais á rapariga, Casimiro sae apressadamente; desce a escada a quatro e quatro, por pouco que não deita ao chão o menino Proh que procurava pôr-se a cavallo na balaustrada do patamar, passa como uma frecha por deante do porteiro, corre á botica mais proxima, pede vinho de Malaga quinado, compra tres garrafas, mette uma em cada um dos bolsos lateraes, esconde a terceira debaixo de paletot e volta a casa de Lisa com a mesma pressa com que de lá saíu.

—Valha-me Deus!... então o senhor traz tres garrafas! exclama a rapariga vendo Casimiro tiral-as dos bolsos.

—Sim, minha vizinha, terá assim para muito tempo sem se incommodar.

—Mas não era preciso, isto custa tres francos e dez soldos cada garrafa...

—Com duas sessões ficam as nossas contas saldadas.

—Ah! senhor, não é possivel!

—Perdão, minha vizinha, juro-lhe que a um modelo como a menina não se paga menos, e que lhe ficarei ainda muito obrigado. Mas tenha a bondade de me dizer a que hora quer que eu venha para a sessão.

—É sempre de manhã cedo que minha avó descança melhor e não tem precisão de mim; se o não contrariasse vir ás oito horas... mas é talvez cedo de mais para o senhor?