—Mas o que fará o senhor do meu retrato em sua casa! ha de incommodal-o...

—Incommodar-me! pelo contrario, será o mais bello ornato do meu atelier, olharei para elle todos os dias, não me cansarei nunca de o contemplar. Ah! minha vizinha, consinta, por obsequio, diga que consente.

Lisa ainda hesitava, porque os olhos de Casimiro tinham tomado uma expressão que lhe causava uma commoção vivissima; mas n’este momento a enferma, que estava adormecida, accorda, dizendo:

—Lisa, dá-me uma gota d’esse vinho que me faz tanto bem.

—Sim, avósinha, d’aqui a um instante, já o não ha em casa, eu o vou buscar...

Depois, voltando-se para Casimiro, Lisa diz-lhe em voz baixa:

—Pois bem! consinto, começaremos ámanhã.

—Oh! como a menina é cheia de bondade! e quão feliz eu sou! Corro então á pharmacia a comprar-lhe o vinho quinado.

—Não, isso não, irei eu mesma.

—A menina não pode deixar a sua doente, permitta-me fazer-lhe este pequeno serviço, eu sei que é vinho de Malaga.