—Oh! de modo algum.

A pequena ia dizer: pelo contrario, mas parou fazendo-se muito córada, e limita-se a murmurar:

—Então, até ámanhã.

No dia seguinte, Casimiro não falta a dirigir-se a casa do seu encantador modelo, que o vê agora chegar com prazer, e, sem ser coquette, tem todavia mais esmero no seu penteado, no arranjo dos seus cabellos; o joven pintor repara n’isto, não diz nada, mas fica secretamente lisonjeado, porque ha uma multidão de pequenas coisas que fazem presagiar as grandes.

Trabalha-se, e conversa-se a meia voz; é quasi sempre de manhã que a avó descança melhor. Lisa levanta mais vezes os olhos para o seu pintor e sustenta um pouco melhor o fogo dos seus olhares; algumas vezes, comtudo, um vivo rubor lhe sobe á cara, emquanto Casimiro murmura:

—Ah! como a menina se colloca bem! que lindo retrato eu vou fazer, sim, ha de ficar muito parecido; tenho as suas feições tão bem gravadas na memoria!

—Então, já não é preciso que eu olhe para o senhor?

—Oh! sim! sim! eu nunca a vejo bastante.

—Que felicidade saber pintar!

—Sim, tambem acho isso agora, e ainda ha pouco tempo nem o suspeitava! Ah! minha vizinha, saiba que se eu chegar a adquirir algum talento, é á menina que o deverei.