—Casimiro! tome cuidado, se fica n’esta casa, não lh’o perdoarei...
—Hei de ficar.
—E é a essa delambida que o senhor me sacrifica! Oh! é indigno! é infame!
—Nada de palavrões, minha senhora, bem sabe que commigo perdem o seu effeito; eu não a sacrifico a ninguem. Digo-lhe que não quero ser mais seu escravo, que quero ser senhor de mim, se isto lhe não convem, tanto peior!
—É porque já me não ama que o senhor me fala assim!
—Olhe, Ambrosina, seja franca, se eu fizesse o que me ordena, havia de desprezar-me e teria razão.
—Oh! o senhor é um traidor, tem zombado commigo, mas não quero continuar a ser enganada! depois de tudo quanto eu tenho feito por sua causa...
—Ah! eu estava á espera d’essa phrase! teria faltado á situação! Effectivamente a senhora tem feito muito por mim, eu não me esqueço, permitta-me sómente dizer-lhe que era sempre contra a minha vontade; que ha muito tempo que eu me queria dar ao trabalho e que a senhora incessantemente me impedia de o fazer, porque queria ter-me constantemente nas suas rêdes, impedir-me de ser livre emfim e de poder tomar qualquer resolução sem a consultar. Se a fortuna um dia me fôr favoravel, creia, minha senhora, que terei muito prazer em pagar tudo quanto lhe devo!
—Casimiro, esqueça-se do que eu acabo de dizer, o ciume faz-me perder a cabeça, vamos, ceda-me ainda por esta vez, peço-lhe eu, venha commigo, deixe esta casa... e não lhe falarei mais n’essa menina da agua-furtada...