—É sómente, porque sinto haver sido a causa de que aquella senhora ralhasse com o sr. Casimiro; ella parecia muito encolerisada, disse que o senhor já não cuida do seu retrato e que é por culpa minha. Bem vê que fiz mal em consentir que fizesse o meu; mas está tudo acabado; não lhe servirei mais de modelo; poderá assim retratar aquella senhora; não lhe farei mais perder o seu tempo...

—Não diga isso, Lisa, continuarei a retratal-a como de costume...

—Oh! não, aquella senhora não quer; se ella voltasse e o encontrasse aqui, teriamos nova scena, isto assusta minha avó, e eu não quero...

—Aquella senhora não voltará aqui; demais, não tem o direito de me impedir de fazer o que me agrada; conheço-a ha muito tempo, ella estava habituada a dar-me conselhos e eu ouvia-a como se ouve um antigo conhecimento...

—Aquella senhora é mais velha que o sr. Casimiro?...

—Sim, é por isso que eu lhe mostrava uma certa deferencia. Mas não é razão para que ella me tracte como uma creança...

—E é bem bonita, aquella senhora, mas deitava-me uns olhos cheios de odio, que me faziam muita pena...

—Não pense mais n’ella, não tornará a vel-a.

—Parece-me que teria muito gosto em a ver, se ella me não tivesse deitado uns olhos tão terriveis. Sr. Casimiro, é preciso levar o seu cavallete e não vir mais aqui pintar...

—Minha querida vizinha, espero que terá a bondade de me dar ainda as sessões de que necessito, não ha de querer que eu deixe um trabalho imperfeito; a sua cabeça é um estudo que me fará muita honra, assim o espero; permitta-me acabal-o com cuidado e satisfazer-lhe o que lhe devo por todas as sessões que me tem dado...