—A tal senhora bonita tem marido?
—Não; pelo menos, creio que não. A final de contas, como ella vem ámanhã, posso dizer ao senhor quem é.
—Então eu conheço-a?
—Deve tel-a visto em casa do sr. Casimiro, é aquella senhora que o vinha visitar tantas vezes, antigamente, porque não tem aqui voltado desde que arrendou o primeiro andar.
—Como! seria a sr.ª Montémolly que arrendou o quarto do primeiro andar?
—Exactamente, a sr.ª Montémolly, é o nome que está no seu bilhete.
—Oh! com mil diabos!...
Rouflard apressa-se a subir a casa do pintor, e diz-lhe:
—Venho dar-lhe uma noticia! o quarto do primeiro andar foi arrendado pela sr.ª Montémolly, que se muda para cá ámanhã.
Casimiro fica aterrado; julgava-se para sempre livre de Ambrosina, e ella vem morar para o seu predio; não duvida que não seja para espreitar o seu procedimento e saber que relações existem entre elle e a menina do quinto andar. Estas relações são muito innocentes, mas aos olhos do mundo, que procura por toda a parte o mal e nunca o bem hão de parecer criminosas. O que Casimiro receia sobretudo, é que as frequentes visitas que elle faz a Lisa lhe tragam ainda alguma scena desagradavel. Está a ponto de subir a casa da sua vizinha para a prevenir do que acontece, mas diz comsigo: Não devo assustal-a antes de tempo. Aguardemos. Ambrosina não arrendou talvez a casa para si, é tambem possivel que se não mude ainda ámanhã.