Ao nono dia da sua entrada nos seus novos aposentos, alli pela volta do meio dia, Ambrosina sobe os quatro andares que vão ter á morada de Lisa, e entra de repente em casa da rapariga, que fica pallida e tremula ao seu aspecto.
«Todavia a sr.ª Montémolly não tem aquelle ar terrivel com que uma vez se apresentou a Lisa; pelo contrario, é sorrindo, é com um ar amavel, gracioso mesmo, que ella se approxima, e lhe diz:
—Perdão, menina, venho talvez incommodal-a, mas sou ha oito dias sua vizinha, moro no primeiro andar, soube, pela sr.ª Proh, que a menina se occupava em trabalhar em roupa branca, e venho perguntar-lhe se quererá trabalhar para mim?
Lisa está de tal modo perturbada, que pode apenas balbuciar:
—Mas, minha senhora, queira sentar-se... Perdão, não ouvi bem o que me disse.
—Socegue, menina; pois eu metto-lhe medo?
—Oh! sim, minha senhora, quero dizer, não, minha senhora, agora não... mas é que receava...
—Que viesse ainda contender com o sr. Casimiro? Socegue, no outro dia fiz mal, convenho n’isso, mas eu sou muito arrebatada; aquelle senhor tinha-me faltado muitas vezes á sua palavra para o meu retrato e isto tinha-me encolerisado. E o retrato da menina está acabado?
—Sim, minha senhora.
—Mas o sr. Casimiro continúa a vir vizital-a?