—Oh! quando a senhora quizer.

—Já lhe não metto medo, espero?

—Não, minha senhora, pelo contrario, sinto agora que terei muito prazer em a receber.

Estas palavras parecem surprehender Ambrosina que, entretanto, faz uma mesura graciosa á rapariga e retira-se. Lisa está bastante commovida, mas muito contente de não ter já em sua casa o cavallete. No dia seguinte, não falta a dar parte a Casimiro da visita que recebeu. Este não fica satisfeito com isso; abana a cabeça murmurando:

—Ambrosina, que quer que a menina trabalhe para ella... Ambrosina, amavel, affectuosa com a menina.... hum! isso não é natural; tome cuidado, Lisa, não confie n’essa senhora, porque tudo isto esconde alguma perfidia!

—Oh! sr. Casimiro, creio que não tem razão, e que d’esta vez é injusto para com essa senhora; já não tenho nenhum receio d’ella; pelo contrario, é uma coisa bem exquisita, parece-me que estou quasi a ter-lhe affeição...

—Ah! é que a menina não suspeita de nada, não desconfia dos laços que lhe podem armar!

—Laços? oh! aquella senhora tem um sorriso encantador... isso não pode occultar uma perfidia.

—Bem se vê que não conhece o mundo.

—Meu Deus! é então um conhecimento bem máu, pois que se deve sempre desconfiar d’elle!