—D’esse modo, fará a obra que a senhora lhe deu?

—Sem duvida, são uns lenços magnificos para bordar... mas é obra que ha de levar muito tempo.

—E irá levar-lh’os a casa quando estiverem promptos?

—Sim. Acaso não faço eu o mesmo á sr.ª Proh? porque havia de ser menos cortez com esta senhora do primeiro andar?

Casimiro não diz nada, mas deixa Lisa, muito inquieto com a visita que ella recebeu.

D’ahi a poucos dias cae doente a menina Angelina Proh; a mãe receia que seja uma constipação de peito; o pae sustenta que é uma febre miliar, e o menino Proh affirma que sua irmã está doente por ter comido uvada de mais. Mas as indigestões são ás vezes perniciosas, e podem dar logar a outras doenças; quer a uvada tenha ou não alguma coisa n’isso, o que é certo é que a rapariga tem uma grande febre, uma sede ardente, e por vezes um pouco de delirio.

Os Proh não têem creada, porque o ex-professor sustenta que, n’uma casa onde ha duas mulheres, não se deve ter necessidade de tomar uma terceira para os arranjos domesticos, e que seria isso um luxo inutil. Não ha pois senão a sr.ª Proh para tractar de sua filha, porque o papá encerra-se na sua dignidade, e o Fonfonsinho, como quebra tudo quanto apanha, não pode ser utilizado. Como a joven Angelina tem estado bastante doente para que seja mister velar junto d’ella de noite, a sr.ª Proh anda que não pode comsigo, e diz um dia ao maride:

—Senhor, eu não posso mais; se isto continua, vou tambem caír doente; ha duas noites que não durmo e eu não sou de ferro...

—Eu nunca disse que a senhora era de ferro, se as mulheres fossem de ferro, seria isso bem incommodo nas relações que a natureza nos manda ter com ellas.

—Vejamos, Castor, porque é que não quer tomar uma creada? a nossa posição permitte-nos isso...