—A nossa posição é muito correcta como está: nós somos quatro, o quadrado perfeito, uma pessoa de mais em casa desarranjaria o equilibrio e a rectidão; não, a rectidão não é o termo próprio, devo dizer o rectangulo...
—Oh! senhor, quanto me aborrece com os seus quadrados e as suas combinações. Quer então que eu caia doente?
—Não, senhora, porque seria preciso dobrada tisana, dodrado xarope, e por conseguinte seria dobrada despeza; não poderia ser esse o meu desejo.
—E’ todavia o que ha de acontecer se eu tiver de passar ainda esta noite velando á cabeceira de nossa filha. Quer o seehor ficar?
—Eu? mas a senhora bem sabe que, em chegando a minha hora de dormir, é-me impossivel resistir-lhe; torno-me um arganaz, um buzio, se acham melhor, ainda que a comparação é estrambotica; eu por consequencia não seria de nenhuma utilidade.
—Então é mister tomar uma enfermeira...
—Uma enfermeira! introduzir uma estranha nos meus lares! Nunca! isso é estupido e perigoso.
—Entretanto, declaro-lhe que não quero passar em claro a noite proxima; não poderia resistir... Ah! uma idéa!... a menina Lisa... sim, ella é muito obsequiadora, não se negará a vir um instante revzar-me; esta não dirá o senhor que é uma estranha... conhecemol-a perfeitamente.
—A menina Lisa... sim, essa mora no predio. Em rigor, podemos occupal-a.
—Subo immediatamente a casa d’ella; quero estar certa de ter alguem esta noite ao pé de minha filha.