Lisa fica menos admirada vendo entrar em sua casa a vizinha do terceiro andar, para quem tem trabalhado muitas vezes. A sr.ª Proh explica-lhe immediatamente o motivo da sua visita, e a rapariga responde-lhe:

—Oh! minha senhora, eu estimaria muito poder ser-lhe prestavel; mas, para ir para sua casa, teria de deixar minha avó...

—Mas sua avó, emquanto está a dormir não tem precisão da menina; lembre-se de que pode ir lá para baixo ás dez horas da noite, e pela manhã ás sete e meia, oito horas quando muito, voltará para junto d’ella. Demais, sua avó não está melhor?

—Sim, minha senhora, graças ao vinho quinado, passa muito melhor desde certo tempo para cá. Não é verdade, avósinha, que vae agora melhor?

A velha levanta-se um poucochinho na cama, dizendo:

—Sim, minha filha, sim, vou melhor. Ah! é que tu tractas bem de mim; e depois déste-me uma colhér de prata, e isso deu-me grande prazer. Mostra-a lá á nossa vizinha.

—Oh! avósinha, isso pouco interessa a esta senhora.

No entanto, para fazer a vontade á avó, Lisa mostra á sr.ª Proh a colhér de prata, que é muito simples.

—É uma prova de que a menina faz as suas economias, diz Celeste, dou-lhe os meus parabens...

Depois a sr.ª Proh approxima-se da paralytica, e diz-lhe: