—Não é verdade que a senhora poderia dispensar a sua neta por uma noite, e permittir que ella venha velar á cabeceira de minha filha, que está doente? desceria só ás dez horas da noite e voltaria logo de manhã; oh! com isso me faria um grande serviço.

—Sim, sim, pode ir; vae, Lisa, para obsequiares a senhora. Bem sabes que eu, em adormecendo á noite, não tenho mais precisão de ti. Oh! eu estou melhor.

—Como! pois a avósinha consente em que eu a deixe uma noite inteira?

—Sim, minha filha, sim; é preciso obsequiar esta senhora.

—Pois bem, visto que a avósinha consente. Minha senhora, esta noite ás dez horas, estarei em sua casa.

—Ah! muito agradecida, a menina é muito amavel; retiro-me sem mais demora, porque tenho que preparar a cabeça de vitella para meu marido; até á noite.

Ás dez horas em ponto, assim que adquire a certeza de que sua avó dorme socegadamente, Lisa sae do seu quarto e dirige-se a casa da sr.ª Proh. Esta aguardava-a com impaciencia, porque tinha muita necessidade de dormir. Leva a sua joven vizinha para o quarto de cama de sua filha, e ahi a deixa, dizendo-lhe:

—Angelina está hoje melhor, creio que não terá uma noite desassocegada; em todo o caso, aqui está em cima d’esta mesa tudo o que é preciso: a tisana sobre a lampada de espirito de vinho, assucar para a tisana, uma colherinha para a mecher, depois uma colhér de sopa para dar d’este xarope que vê n’esta garrafa; mas isto, sómente lh’o dará se ella não puder dormir e estiver agitada; comprehende bem?

—Sim, minha senhora, tudo isso não é difficil.

—Se por acaso sobrevier alguma coisa extraordinaria, acorde-me, eu durmo aqui no quarto do lado; mas espero que não acontecerá nada. Aqui tem uma grande poltrona onde ficará perfeitamente... e livros. A menina gosta de ler?