—Este meu passo, deve provar-lhe que eu não sou d’essas pessoas; ao contrario, pedindo-lhe que vá ficar de noite em minha casa, pensei que isso poria termo a todos esses contos inconvenientes. A menina não se pode recusar...

—Mas, minha senhora...

—Não lhe peço que vá ás dez horas, desça um pouco antes da meia noite; depois, voltará cedo para sua casa. Bem vê que sua avó não terá tempo de dar pela sua ausencia...

—Minha senhora, não me atrevo a recusar; entretanto isto custa-me muito; tenho tanto desgosto pela noite que passei em casa da sr.ª Proh.

—Isso é uma creancice; em minha casa nada tem que recear. Até á noite, alli pela volta da meia noite... ou antes se quizer.

—Oh! prefiro ir tarde.

—Muito bem, está tractado; espero pela menina, porque quero eu mesma apresental-a no quarto da minha doentinha.

Ambrosina retira-se. Lisa deseja ardentemente ver Casimiro para lhe dar parte da sua nova contrariedade; o joven pintor não se faz esperar muito tempo. Ao saber o que a sr.ª Montémolly acaba de pedir a Lisa, fica bastante surprehendido, e parece não gostar de que esta tenha acceitado.

—Acaso fiz mal em acceder a ir ficar de noite em casa d’essa senhora? diz a donzella.

—A menina não se podia excusar, comprehendo, tendo-se já prestado a ir a casa da sr.ª Proh.