—E depois, aquella senhora é agora muito amavel commigo; bem vê que não dá credito aos aleives que se teem espalhado por causa d’aquella colhér perdida.
—Vejo; effectivamente, o procedimento d’essa senhora prova que ella faz-lhe justiça; e todavia custa-me a acreditar que ella lhe queira bem...
—Porque não?
—Ah! porque... emfim, vá esta noite velar a Adelinasinha, mas ámanhã, de manhã cedo, eu espreitarei a sua volta para casa.
—Oh! voltarei muito cedo.
É meia noite menos alguns minutos quando Lisa bate á porta da senhora do primeiro andar. É a gorda Adriana que vem abrir-lh’a e a introduz junto de sua ama, que recebe a donzella com um sorriso que não é talvez bem franco, mas que quer parecel-o. A sr.ª Montémolly apressa-se a conduzir Lisa para um lindo quarto onde dorme a doentinha, dizendo:
—Puz Adelina no quarto que reservo para a mãe d’ella, quando habita no campo e vem por acaso a Paris. Penso que a menina ficará aqui muito bem; por este corredor pode-se sair sem haver necessidade de acordar ninguem.
—Oh! minha senhora, eu não terei necessidade de sair esta noite, para quê?
—Ahi tem uma poltrona onde poderá repousar e mesmo dormir um pouco, se a doentinha estiver em socego. Aqui tem livros... Ah! quer cear?