—Não! é que não percebes; minha ama não renunciou ao amor, muito pelo contraio, ella ama, oh! ama apaixonadamente um rapaz, um bello moço, o Casimiro Dernold, que vem quasi todos os dias fazer-lhe companhia, que é musico, que é pintor tambem... emfim, que faz tudo quanto quer, mas que, segundo eu creio, não quer fazer outra coisa senão divertir-se! A senhora está doida pelo tal Casimiro, não pensa senão n’elle, não sonha n’outra coisa, não se importa com mais ninguem. É por isso que não dá attenção a todos os que procuram fazer-lhe a côrte. É verdadeiramente fiel ao amante, a ponto de adoecer, de sentir as mais vivas inquietações, se elle não chega á hora do costume. Ah! minha querida Rosa! que asneira é amar um homem assim; e como a gente é muito feliz em não se prender! Não pensas como eu?

—Já se vê que sim! eu dou attenção a todos quantos me falam; por isso não tenho um instante de meu. Quando não converso com este, é porque estou conversando com aquelle! Ah! ah! é muito mais divertido! E que edade pode ter esse Casimiro, amante de tua ama?

—Vinte seis a vinte sete annos, talvez.

—E tua ama tem trinta e oito! elle deve-lhe fazer muita falcatrua!...

—Não sei, em todo o caso, a senhora vigia-o muito, é ciumenta como uma panthera! fal-o seguir; é mister que elle lhe dê conta do que faz cada dia, hora por hora.

—Pobre rapaz! olhem que vida! Eu antes queria estar nas galés!...

—Por isso elle algumas vezes respinga, grita, manda bugiar a senhora. Oh! então, são scenas terriveis! A senhora chora, ou pega n’um punhalzinho que traz escondido no seio, e diz que se vae matar...

—Bom! eu conheço essa giria! não tenhas medo de que se mate!...

—Olha, ha um mez, quando ella soube que o seu Casimiro tinha estado no Mabille, quiz cravar o punhal no peito; mas, ao que parece, dirigiu mal o golpe, porque não se feriu senão na orelha, que verteu algum sangue!