—Qual frontinio!... eu sou guarda-portão...
—Então, varra melhor o pateo.
Casimiro não perde um instante; sobe a casa de Lisa, que elle acha sempre na mesma tristeza, e diz-lhe:
—Tenho boas noticias a annunciar-lhe. A sr.ª Durmont, esta senhora que mora no segundo andar, interessa-se pela menina e não duvida da sua innocencia...
—Ah! agradeço-lhe muito; com effeito, essa senhora sempre olhou para mim com bondade...
—Mas não é só isso; ella quer que a verdade seja conhecida de todos, que se descubra o que é feito das duas colhéres que desappareceram.
—Ah! como serei feliz se ella consegue fazer isso; é a vida, porque é a honra que essa senhora me restituirá. E o que fará ella para isso?
—Oh! vae parecer-lhe singular; mas é preciso que esta noite a menina consinta ainda em ir velar em casa d’ella, ao pé de sua irmã, que está doente.
—Velar, passar a noite longe de minha avó? oh! não, não, bem sabe que é uma coisa que sempre me traz desgraça.
—Mas d’esta vez é pelo contrario para a justificar que se lhe pede isso. O que pode recear? aquella senhora interessa-se pela menina, ceda pois, peço-lhe eu, consinta mais esta vez; tenho confiança na sr.ª Durmont, ella descobrirá de certo o mysterio que reina n’essas duas noites inexplicaveis...