—Effectivamente, vejo muito bem, porque o quarto està muito illuminado... a rapariga trabalha...

—Sim, e agora é preciso termos paciencia, devemos esperar que ella adormeça.

—Mas se não adormecer?

—Oh! estou certa do contrario, graças a um ligeiro narcotico que misturei na chavena de chá que lhe fiz tomar, e creio que era isso necessario, porque ella estava muito decidida a não dormir. Mas aquella beberagem não fará talvez o seu effeito senão dentro de duas ou tres horas... d’aqui até lá, se a senhora quer encostar-se n’esta poltrona...

—Não, minha senhora, muito agradecida, não tenho vontade de dormir, porque estou com muita curiosidade de saber o que sairá de tudo isto.

Esta conversação era toda em voz baixa, o que augmentava o mysterio que esta noite devia descobrir. As tres pessoas alli reunidas teem-se sentado e guardam silencio, pondo os ouvidos á escuta do que se passa no quarto onde está Lisa. A irmã da sr.ª Durmont, que sabe bem o seu recado, pede de beber; a rapariga apressa-se a dar-lhe a tisana, e em seguida offerece-lhe uma colhér de xarope, que é logo acceita. Lisa torna a pôr a colhér em cima do meza, e senta-se ao lado. A supposta enferma adormece devéras, e a rapariga põe-se de novo ao seu trabalho.

Assim se passa uma hora, e depois outra. A anciedade de Casimiro augmenta; Ambrosina não diz palavra, mas não fecha os olhos. A sr.ª Durmont olha constantemente pela vidraça, murmurando:

—Mas a pequena não adormece... conseguiria ella vencer o narcotico!...

—Passam ainda alguns minutos, que parecem seculos; a final a sr.ª Durmont exclama:

—Ah! debalde pretende resistir, cae-lhe o trabalho das mãos, vae adormecer...