Casimiro aperta de bom grado esta mão, que ê agora a d’uma pessoa amiga.

Despedem-se todos da sr.ª Durmont, reiterando-lhe os seus agradecimentos, que tão bem merecidos eram. Lisa sobe ao seu quarto acompanhada por sua mãe, que não quer deixar mais a filha que um tão grande acaso acaba de lhe restituir. Na escada encontram ainda Rouflard, que sae de casa dos Proh, gritando:

—Elles lá teem a colhér, que nunca lhes tinha saído de casa. Mas, apre! tive um trabalhão immenso! não me queriam abrir a porta!

Ouvindo tocar a sua campainha no meio da noite, a familia Proh julgára primeiro inutil responder; mas, como o repique não cessava, tinha perguntado:

—Quem está ahi?

—Sou eu, gritára Rouflard, que venho fazer-lhe achar a sua colhér!

Ao reconhecer a voz de Rouflard, o professor respondera:

—O senhor é um maroto, quer perturbar o nosso somno com esse ignobil gracejo, ámanhã hei de mettel-o em processo.

Ao que Rouflard, replicára:

—Eu não gracejo, é o senhor e todos os seus que são uma familia de pepinos! Eu tenho a peito fazer-lhes reconhecer a innocencia de Lisa, que é somnambula, e vou fazer-lhes achar a sua colhér! tocarei a campainha até ámanhã se fôr necessario.