—Agora, diz Ambrosina, não incommodemos mais tempo esta senhora, a quem eu devo tambem a minha felicidade, pois que é, graças á idéa que ella teve de te ver adormecida, que eu pude examinar essa medalha e tornar a achar minha filha. Vem, minha querida Lisa, vem para casa de tua mãe, a quem não deixarás mais d’aqui em deante.

Lisa está perplexa e confusa, sorri-se para sua mãe, e balbucia:

—E a pobre velha de quem nunca me tenho separado... acaso quereria que eu a abandonasse?

—Não, não querida filha, comprehendo o teu coração, não quero causar-te nenhum desgosto; a mãe da tua ama não se ha de separar de ti, tomal-a-hei para a nossa companhia, a minha casa é bastante grande para que eu possa dar-lhe um quarto. D’este modo nada lhe faltará, e tu velarás sempre por ella...

—Ah! minha senhora... minha mãe... é tambem muito bondosa!

—E, agora que vem rompendo a aurora, vou subir comtigo a esse pobre quarto que habitavas; participaremos á boa velha que já não és orphã e que tua mãe nunca te tinha abandonado; eu te mostrarei a carta de minha tia, em que ella me annunciava que tinha perdido minha filha; tenho conservado sempre essa carta...

—E eu, minha mãe, hei de mostrar-lhe a carta que a minha ama recebeu juntamente com uma quantia, e na qual se lhe ordenava que não me chamasse mais senão Lisa e que viesse estabelecer-se em Paris.

—Oh! sim, e estou certa que hei de reconhecer a letra de minha tia.

Ambrosina está contentissima; estende a mão a Casimiro, dizendo-lhe:

—De hoje em deante somos amigos, e espero que não veja mais em mim senão a mãe de Lisa, que lhe agradece de todo o coração o interesse, a amizade que o senhor tinha por sua filha e que nunca se opporá ao que podér fazer a sua felicidade.