—Ninguem pode levar a mal que a gente converse o seu boccado; nós não nos encontramos todos os dias!

—Pois sim, mas agora vou de corrida á botica. Adeus! Rosa!

—Até outra vez, Adriana.


II
Na botica

Quando a menina Adriana entra emfim na botica, que é quasi á esquina da rua Meslée e da rua do Templo, havia lá tanta gente, que os praticantes não sabiam a quem haviam de attender primeiro. Demais d’isso, é muito raro achar uma botica deserta; a concorrencia abunda n’estes laboratorios, onde todos esperamos encontrar remedio ou pelo menos allivio para os nossos soffrimentos ou para os das pessoas que nos são caras. Se isto prova que a profissão é boa, prova tambem que o nosso physico tem amiudadas vezes necessidade de reparo, e que estamos longe de ser perfeitos; é, pelo menos, aquillo de que estamos convencidos ha muito tempo.

Entre os freguezes da botica torna-se saliente uma mulher gorda, que segura pela mão uma criança de quatro a cinco annos, que está de tal modo embrulhada em casacos, aventaes e chales, que é difficil adivinhar se é rapaz ou rapariga; a mãe dirige-se a um dos praticantes:

—Olhe, senhor, o meu pequeno anda ha tres dias com uma tosse, que me parte o coração ouvil-o tossir: são uns ataques como tinha o pae, que padecia d’um catarrho que o não deixava pregar olho toda a noite, e que o levou á cova o anno passado, com uma indigestão que apanhou em consequencia d’um banho de vapor, porque...

—Mas, minha senhora, agora não se tracta de seu marido, visto que morreu; tracta-se do seu pequeno, que está constipado; creio que é por causa d’elle que a senhora cá vem?