—Naturalmente, minha senhora: não é mais que uma borbulhita, por emquanto, mas assim mesmo tem de seguir o seu curso... amadurecer, crear cabeça, rebentar e sarar...

—Amadurecer, crear cabeça!.. pois eu havia de ter uma borbulha com cabeça no nariz! ah! que horror!... não quero tal coisa!... eu, que nunca tive a mais pequena beliscadura em parte alguma... entende, senhor? em parte alguma... porque me viria nascer uma borbulha no nariz?... qual pode ser a causa d’isto?

—Ignoro totalmente, minha senhora; mas uma borbulha nasce sem se saber porquê; isso pode acontecer a toda a gente!...

—Oh! não, senhor, quando se é d’um aceio minucioso, isto não deve acontecer... Eu não fui metter o nariz em sitios insalubres, pode acreditar-me!

—Estou persuadido d’isso, minha senhora!

—Lavo-me vinte vezes por dia! esfrego-me com cold-cream, com vinagre de Bully, com agua de Portugal, com essencia de jasmim...

—São coisas de mais, minha senhora, é preciso não abusar dos cosmeticos, isso produz ás vezes um effeito muito diverso d’aquelle que se espera...

—Emfim, o senhor vae-me dar alguma coisa para fazer desapparecer isto que me nasceu aqui, logo no nariz... é preciso que se não veja nem o signal...

—Minha senhora, isso ha de ser muito difficil... seria mesmo perigoso; com o nariz não se deve brincar... Já consultou o seu medico?

—Um medico para uma borbulhita... ora essa. Em primeiro logar, eu não posso vêr os medicos, detesto-os, querem sempre purgar-me! E eu não me quero purgar, não quero!