A senhora pega no seu boiãosinho de ceroto, paga e vae-se embora, muito contente por ter com que curar ou pelo menos dissimular a sua borbulha.

É substituída por um sujeito moço, bem abafado, mas que tem máu parecer, e se approxima do praticante com um ar acanhado. Os estudantes de pharmacia sabem muito d’isto; adivinham logo por que razão este senhor os quer consultor e vão ao seu encontro. Effectivamente, elle fala-lhes ao ouvido; e então fazem-n’o passar para uma salinha que fica por traz da botica. Alli, o homem explica o seu caso, sempre a meia voz. Dão-lhe uma caixa de pilulas, umas poucas de raízes de morangueiro para fazer tisana, uma garrafa com um xarope já preparado, e o homem leva tudo isto, dando um profundo suspiro.

Os praticantes da pharmacia olham uns para os outros sorrindo, e um d’elles murmura:

—Ita dis placitum, voluptatem ut moeror

Comes consequatur!...

—Os deuses! responde outro, quer dizer, foi só Mercurio que assim o quiz! É o Deus do commercio; terá lá dito comsigo: Isto ha-de-me fazer vender muito.

—Meus senhores! vamos! tomem cuidado nas suas palavras! diz o rapaz que está sentado á carteira.

—Oh! não ha perigo, as senhoras não sabem latim!

Chega um velho gordo, bufando, e atira comsigo para cima d’uma cadeira, dizendo:

—Ah! senhores, que dôr! Irra! que dôr!