«Vejamos as horas que são: já oito horas! e este tolo de Miflaud devia cá estar ás sete e meia. Felizmente, mandei a minha carta a Ambrosina muito tarde; de certo não a recebeu antes das oito horas. Quem a ha de aturar ámanhã! Mas, em ella vendo que me zango devéras, oh! então, acalma-se logo; ella no fundo não é má, mas muito ciosa de mais! infinitamente ciosa; uma verdadeira andaluza. Graças a Deus não traz faca na liga. Ah! lá tocam a campainha, é Miflaud, finalmente...»
Casimiro corre a abrir a porta, mas, em vez do rapaz por quem esperava, acha-se com um menino de seis annos, que lhe diz:
—Sr. Casimiro, venho da parte da mamã saber se o senhor está em casa?
—Bem vê que estou, Affonsinho, e o que me quer a sua mamã, a sr.ª Proh?
—Acaba a costureira de lhe trazer um vestido novo muito bonito, de riscas verdes e encarnadas. A mamã vestiu-o, e queria que o senhor a visse com elle, para lhe dizer se a quer retratar assim.
—Mas meu menino, eu não vou agora fazer o retrato da sua mamã; terei muito tempo para ver o seu vestido.
—Sim, porém ella disse-me: Vae pedir ao nosso vizinho que entre cá um minuto; quero que elle me veja assim vestida...
—É que estou á espera d’uma pessoa. Ah! mas posso deixar a porta aberta. Ande lá adeante de mim, Affonsinho! Seu papá não está em casa?
—Não, senhor, saiu agora mesmo dizendo á mamã que ella parecia uma girafa com o seu vestido de riscas.
—Oh! com a breca! mas a sr.ª Proh não havia de ficar muito contente!