—Por isso respondeu ao papá: «Tu então não precisas estar vestido para pareceres um chimpanzé.» Sr. Casimiro, o que é um chimpanzé, com que o papá se parece?
—Meu caro amigo, é... ora... um chimpanzé é um homem dos bosques, um bonito homem dos bosques, emfim é um quadrumano.
—É o que é um quadrumano?
—É um homem que tem os pés com forma de mãos.
A apparição da sr.ª Proh vem pôr termo ás perguntas do filho. Esta senhora vem até á porta da escada ao encontro do seu vizinho. Celeste Proh é uma mulher de quarenta e sete annos, loura, deslavada, com olhos azues muito desmaiados, e sem rasto de sobrancelhas; é obrigada a fazel-as com um pincel, que ella molha n’uma composição, cuja côr nem sempre é a que se esperava, o que faz com que esta senhora tenha por cima dos olhos um arco, ora preto, ora côr de castanha, ora avermelhado; ella porém acha que isso lhe dá mais graça á physionomia; tem-se por muito bonita e julga parecer mais nova que sua filha, que tem dezeseis annos. Repete muito amiude na conversação que não comprehende seu marido, que nunca mostrou empenho em possuir o retrato de sua mulher, com o qual elle deveria ter adornado todos os seus aposentos.
A sr.ª Proh tem effectivamente um vestido novo de riscas largas d’um encarnado muito vivo e d’um verde claro, o que lhe dá quasi o ar d’uma mouta florida e attrahe a vista a cincoenta passos. Avança sorrindo para o vizinho.
—Mil perdões, sr. Casimiro, fui indiscreta, mandei-lhe lá o Fonfonso; é que eu queria saber a sua opinião a respeito d’este vestido; como o acha?
—Acho-o muito bonito, é original e faz sobre-tudo muito effeito; emfim, vê-se de longe.
—Eu gosto d’isto, gosto do que dá nas vistas. Acha que me fica bem?
—Admiravelmente! assenta-lhe que nem uma luva!