—Gosto muito do vestido bem justo ao corpo. Demais, creia que não me tolhe por modo algum os movimentos. Então está dito, ha-de retratar-me com este vestido, não é verdade?

—Então sempre quer que lhe tire o retrato?

—De certo que sim.

—Mas eu já lhe disse que me não julgo com forças de tirar um retrato do natural.

—Mas o senhor pintou o retrato da gata do porteiro, já lh’o vi lá em baixo no cubiculo.

—Aquillo foi um ensaio, para me distrahir.

—Pois bem! fará tambem o meu para se distrahir. O sr. Casimiro é demasiadamente modesto, desconfia muito do seu talento; a gata do porteiro parece que está viva, e todavia ella não esteve muito tempo em posição deante do senhor?

—Não esteve tempo nenhum, pintei-a de memoria.

—Eu estarei o tempo que o senhor quizer. O meu Proh queria fazer-me photographar, mas eu não quiz; detesto a photographia, desfeia e envelhece a gente, mas não custa caro, e por isso toda a gente se serve d’ella. Falem-me da pintura! isso é que tem vida, expressão, côr...