—Vamos Miflaud, não vale a pena occultal-o... esta senhora tudo sabe, eu contei-lhe tudo; não se dirá nada a tua mãe. Boa noite... vamos sair...
—Mas eu estimaria bem saber o que tu queres dizer com o teu duello...
—Este senhor fez todavia tudo quanto é possivel para que o senhor comprehendesse! diz Ambrozina lançando sobre Casimiro um olhar fulminante; elle quiz immediatamente pôl-o ao facto de tudo, para que o senhor não desmentisse as patranhas que elle me contou... mas perdeu o tempo e o trabalho; não me deixo enganar tão facilmente! Vamos, sr. Miflaud, não esteja a quebrar a cabeça, não se cance a querer adivinhar o que significam os signaes que o seu amigo lhe faz... O senhor não tem nenhum duello, não se bate ámanhã, e estimo muito que assim seja.
—Muito obrigado pela sua bondade, minha senhora; é certo que não tenho nenhuma tenção de me bater ámanhã, nem mesmo depois de ámanhã...
—E vinha buscar este senhor para ir com elle... a algum baile de tasca, sem duvida?
—Oh! minha senhora!... ora essa!... um baile de tasca!... eu vinha... nós deviamos ir... Casimiro, dize lá onde é que estavamos para ir...
Casimiro encolhe os hombros, e atira comsigo para uma cadeira exclamando:
—Oh! não te embaraces... pois que com esta senhora não ha meio de dar um passo, de ir a um divertimento sem sua licença... Pois bem! é verdade, iamos, ou pelo menos deviamos ir ao Mabille passar uma hora. Isto não é crime! mas a senhora é tão ridicula, tão ciosa, que em tudo vê maldade! e obriga-me a mentir para evitar as scenas de ciume; mas com a senhora não se evitam nunca!
—Ao Mabille! quer ir ao Mabille! que horror! um logar de perdição! Bem se sabe o que os homens vão lá procurar!...
—Mas, minha senhora, engana-se, diz Miflaud; o Mabille é um jardim frequentado pela boa sociedade, pelos estrangeiros mais distinctos, por lindas mulheres...