—Não, mas estás talvez á espera d’ella!
—Outra vez! ah! a senhora é terrivel!
—Não! não! não tenho razão, meu amigo, sou injusta, não o serei mais...
—Bom! ainda bem! vamos passear.
Casimiro está com pressa de sair, porque receia agora que a chegada do seu amigo Miflaud ponha a descoberto as suas mentiras. Mas, sempre promettendo não tornar a ser ciosa, Ambrosina, que continua a ter suspeitas, acha meios para não sair tão depressa: é o seu chapéu que não está bem posto, depois é a cuia que não está muito segura, e é preciso que ella arranje tudo isto; o seu amante está sobre brazas; já pôz o chapéu na cabeça, tem a bengala na mão, e a sua amante tem sempre alfinetes a pregar em alguma parte. Succede alfim o que elle receava, batem á porta.
O rapaz não dá mais que um pulo da sala á porta de entrada, afim de tratar de prevenir o seu amigo; mas, por mais prompto que tenha sido, Ambrosina chega lá ao mesmo tempo que elle, depois de ter atirado ao chão os alfinetes que estava a pregar.
É effectivamente Miflaud, joven corrector de commercio, da edade de Casimiro, que não é bonito, mas que tem uma cara bastante original, que gosta de grisettes, de dança, de vinho branco e de camarões; não foi muito favorecido pela natureza emquanto ao espirito, mas está sempre prompto para se divertir, para rir, emfim para brincar, comtanto que não seja encarregado de inventar as brincadeiras.
—Boa noite, Miflaud, vens por causa do teu duello... pois que te bates ámanhã, e eu devo servir-te de padrinho. Mas sinto muito, meu amigo; procura outro... Tenho que fazer ámanhã.
Tudo isto foi dito por Casimiro d’um só jacto, sem tomara respiração. Um outro que não fosse Miflaud, um d’estes farçantes como ha tantos, teria comprehendido a situação, sobretudo vendo os signaes que o seu amigo tratava de lhe fazer; mas Miflaud não era esperto, e emquanto que a sr.ª Montémolly o mira com anciedade, elle toma um ar muito espantado respondendo:
—Eu! bato-me em duello! Essa é muito boa! Mas não percebo nada, isso é uma brincadeira!