—Então com quem queria passal-os? O senhor escreve-me: «Não espere por mim esta noite.» Como é amavel!...

—Visto que era para obsequiar Miflaud. Mas tanto peor para elle; não estou para o esperar mais tempo. Venha, vamos passear.

—Ah! agora tem pressa de sair, está com medo não chegue essa pessoa. Isto esconde uma perfidia; não é Miflaud que o senhor espera!

—É sim, é elle. Mas, visto que a senhora se deu ao incommodo de cá vir, que o leve o diabo. Vamos, Ambrosina, estou ás suas ordens. Hein? isto é que é ser amavel! Vamos embora...

—Oh! que pressa que tem de sair! isto não é natural, o senhor está-me a atraiçoar!

Cazimiro levanta-se encolerizado, e põe-se a passear pelo quarto dizendo:

—Isto é demais! o demonio leve as mulheres com o seu genio infernal! Quer a gente sair sem ellas, gritam; quer estar com ellas, gritam do mesmo modo! Emfim, faça-se o que se fizer, gritam sempre! Ah! não estou para aturar mais scenas d’estas! Adeus, minha senhora, faça o que quizer, eu cá vou-me embora!

E já o rapaz tem dado alguns passos para a porta; mas Ambrosina corre para elle com a rapidez d’uma corça, segura-o, enlaça-o nos braços, olha para elle amorosamente, e diz-lhe com ternura:

—Aonde vaes, ingrato? queres abandonar-me? bem sabes porém que não posso viver sem ti, que és a minha felicidade, a minha alma, a minha vida! Reputas um crime o eu ter vindo aqui? não era muito natural que eu me quizesse certificar de que não recebias aqui outra mulher, ou de que não ias ter com ella a alguma parte?...

—Bem vê que não escondo aqui mulher alguma; o que me havia de ser difficil! a senhora esquadrinhou todos os cantos á casa.