—Desconfio das pessoas que fazem as coisas para obsequiarem: em geral fazem-n’as mal; é como aquelles creados que estão sempre a dizer que não nasceram para servir, não fazem nunca bem a sua obrigação.
—Papá, faça-me um boneco.
—Vamos lá; tens papel e lapis?
—Aqui está tudo. Ah! mas eu quero que faça o boneco com o pé.
—Com o pé? Fonfonso, tu não sabes o que dizes! então a gente desenha com os pés quando tem as mãos á sua disposição?
—Mas o papá deve servir-se tanto dos pés como das mãos, visto que é quadrumano.
—Quadrumano! eu sou quadrumano! quem é que lhe disse tal insolencia? o menino sabe o que é um quadrumano?
—Sei, é um chimpanzé, e bem sabe que o outro dia a mamã disse-lhe que era um chimpanzé. Perguntei ao sr. Casimiro o que era um chimpanzé, e elle respondeu-me que era um homem dos bosques, que era um quadrumano.
—A senhora bem está ouvindo; seu filho compara-me com um macaco, porque a senhora o outro dia não receiou qualificar-me com esse epitheto.
—Tambem o senhor me chamou girafa. Era porventura mais delicado?