—Papá chimpanzé, faça-me um boneco.
—Se me tornas a chamar chimpanzé, levas uma sova de açoutes que te racho! Vá estudar a sua lição de grammatica, para m’a dizer logo.
—Ora! a grammatica aborrece-me; gosto mais de recortar estampas.
—Faça o que lhe ordeno, seu patife! e não resmungue. Angelina, quando acabares o teu desenho de orelhas, espero que te lembres das minhas piugas, que estão em muito máu estado, já me queixei d’isso a tua mãe, que creio que terá attendido a minha reclamação.
—As suas piugas! Ora! ainda lhes não toquei.
—Como! pois a senhora não manda concertar a roupa? na verdade, não sei em que pensa, ou antes sei-o demasiado. É nos seus adornos, nos seus enfeites, nos seus vestidos de cauda ou sem cauda, e a roupa fica n’um estado miseravel! os meus colletes de flanella não têem botões, as camisas estão todas rasgadas, as ceroulas estão cheias de buracos; mas a senhora, comtanto que tenha um vestido á moda, não quer saber de mais nada.
—Queria talvez que eu tivesse sempre as suas ceroulas no pensamento! Ah! credo! seria bem triste!...
—O que é triste, é achar a gente as camisas rôtas na occasião de as vestir.
—Socegue, a sua roupa ha de ser concertada; mas como n’esta casa ha trabalho de mais e como eu e minha filha não podemos chegar para tanto dei tudo isso a uma costureira.
—A uma costureira! mas está a senhora bem informada a respeito d’essa costureira? ha algumas que trocam os objectos que se lhes confiam.