—Oh! não imagine que ella lhe vae trocar as piugas, o senhor está sempre com medo de que o roubem, demais, é uma rapariga que mora no predio, no quinto andar, é a menina Lisa.

—A menina Lisa! não conheço. E trabalha bem, essa menina Lisa.

—Cose como uma fada; já lhe dei que fazer, e fiquei muito satisfeita com ella, tanto mais que não leva caro, dá-lhe a gente o que quer.

—Oh! então é preciso dar-lhe que fazer muitas vezes. E essa rapariga mora sózinha lá em cima?

—Não, está com a avó, uma boa velhinha, quasi paralytica, que já não se acha em estado de fazer nada; pois bem! é a menina Lisa que tem cuidado d’ella, que trabalha dia e noite para que não falte nada á pobre velha. Oh! esta rapariga porta-se muito bem... toda a gente no predio lhe faz elogios.

—Hum! desconfio d’essas pessoas a quem todo o mundo faz elogios, isso esconde ás vezes muitas coisas, essa sujeitinha tem sem duvida namorados...

—Oh! que idéa! não fale assim deante de sua filha.

—Minha filha aprende desenho, e quando uma menina quer desenhar de modelos de gesso e copiar estatuas antigas, creio que pode comprehender o que é um namorado. Demais, a tal menina Lisa é muito ajuizada, não tem nenhum! estimo bastante.

—Sim! sim! Lisa tem um namorado! exclama o joven Fonfonso; eu bem sei! eu conheço-o...

—O que está o menino a dizer! aonde foi aprender essas coisas?...