Devo, quero e vou defendel-a.

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Zola, o genio, o mestre, o justo, escreveu:

«Lorsqu'on a l'honneur de tenir une plume, on se consulte avant d'ecrire, et quand on a écrit une page, on l'affirme, on la défend.»

La critique contemporaine, pag. 356.

A critica censurou-me porque, brazileiro e rio-grandense, fui procurar em terras de Portugal o assumpto do meu obscuro trabalho. A Talitha não é uma obra nacional: nem portugueza porque o seu autor não nasceu em Portugal, nem brazileira porque a acção se passa em terra estrangeira, entre personagens de uma aldeia lusitana perdida nas serranias da provincia de Traz-os-montes.

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A censura é futil.

A critica esquece que Portugal é a patria da nossa patria; que o nosso idioma nacional ainda não sahiu do periodo primitivo e selvagem; que a lingua de Camões foi a lingua de Gonçalves Dias e ainda hoje é a lingua de Olavo Bilac e de Coelho Netto; que os sentimentos de José de Alencar vibraram nas mesmas palavras em que vibrou a alma de Camillo Castello Branco o através das quaes se impoz á grandeza do seculo que passou a individualidade singular e forte de Eça de Queiroz, ao mesmo tempo que se impunha, em outro hemispherio, a personalidade singular e forte de Machado de Assis.

Ingenua, ignorante ou perfida, a critica esqueceu o preceito de Taine:

«Les productions de l'esprit humain, comme celles de la nature vivante, ne s'expliquent que par leur mllieu.»

H. Taine—Philosophie de l'Art. vol. I, pag. 11.