Rostand escreveu todos os seus dramas em verso: Princesse Lointaine, Romanesques, Cyranno de Bergerac, Samaritaine, Ayglon e ultimamente os tres primeiros actos do Chant-clair...
Miguel Zamacoix acaba de escrever e fazer representar em Paris pelo genio de Sarah Bernhardt, Les Boufons, em verso alexandrino, obra prima que a critica europea colloca, senão acima, ao lado do Cyrano.
E ainda recentemente, em Outubro de 1906, a imprensa franceza se occupou de uma outra obra prima do talento de Catulle Mendés, em soberbos alexandrinos, de um mysticisco celeste, que se intitula Sainte Thérèse.
Na Inglaterra, Robert Browning escreveu a tragedia historica Strafford e os dramas Mancha no Brazão e Regresso dos Deuses, todos em verso.
Na Italia, Gabriel d'Annunzio escreveu em verso os tres actos da Filha de Jorio, e fez representar por Eleonora Duse o seu grandioso monumento Francesca da Rimini, em verso, como em verso havia escripto pouco antes o seu extraordinario Nerone, o genio brilhante de Boito, e Cavalloti o seu formosissimo idylio Cantico dei cantici, em 1882.
Na Hespanha, deixando de parte o D. Juan Tenorio, de Zorrilla: o Trovador, de Gutierres; a Roda de la Fortuna, de Thomaz Rubi, todos de 1850: Hartzemburch produziu mais recentemente Los Amantes de Terruel; Alfonso, el Casto e La Madre de Pelagio, e Echegaray o seu conhecidissimo Gran Galeoto.
E todos esses dramas são escriptos em verso.
Em Portugal, João de Deus, o lyrico sublime, escreveu Horacio e Lidia; Eugenio de Castro, o revolucionario de genio, o extraordinario autor da Belkiss e de Constança, acaba de publicar o Annel de Polycrates; Henrique Lopes de Mendonça, o Duque de Vizeu e a Noiva: Fernando Caldeira, a Mantilha de Renda e a Madrugada; Marcellino de Mesquita, a Leonor Telles; Julio Dantas, a Ceia dos Cardeaes; Francisco Palha, a Fabia; Luiz de Magalhães, o D. Quixote, os dois ultimos para o Theatro Academico, de Coimbra, todos em verso; sómente para citar os escriptores da actualidade, deixando de parte O Catão e a Merope de Almeida Garrett e o Camões, de Antonio Feliciano de Castilho.
Finalmente: em verso tambem escreveram no Brazil: Gonçalves de Magalhães, o Olgiato; Arthur Azevedo, o Badejo; Zeferino Brasil, o Outro e Coelho Netto, As estações.
A critica, portanto, ou é ignorante ou mentiu propositalmente.