«Les moutons promis aux fourchettes
Passent là-bas; j'entends leurs voix
Sonnez, clochettes,
au fond des bois.
Le beau Narcisse est en manchettes;
Silène a mis toutes ses croix.

Rostand, o impeccavel, na Samaritaine, tambem não se subordinou absolutamente a essa regra, como se vê logo na primeira scena:

«Poussé par la brise des nuits,
et vagabond jusqu'à l'aurore,
je viens pour des fins que j'ignore,
comme un fantôme que je suis.
D'une sandale sonore
je viens, je glisse et je m'enfuis...
Mais, ô Jehovah que j'adore!
quelle est cette grande ombre encore
qui se tient debout près du puits?

e assim prosegue o genial poeta em toda essa scena que se compõe de cento e nove versos.

E para que não diga a critica perversa que n'esses exemplos não ha alexandrinos, aqui ficam estes alexandrinos, ainda do I acto, scena V, em que Photina declama:

«Mon bien aimé—je t'ai cherché—depuis l'aurore,
Sans te trouver,—et je te trouve,—et c'est le soir;
Mais quel bonheur!—il ne fait pas—tout a fait-noir:
mes yeux encore
pourrent te voir.

e assim por toda a fala de Photina, gue se compõe de mais de vinte nove versos.

Na lingua portugueza, porém, não ha um poeta sequer que obedeça á regra da metrica franceza, nem no drama, nem no poema.

Junqueiro, na Morte de D. João, na Musa em ferias, na Velhice do Padre Eterno, na Patria, ou nos Simples usa indistinctamente as rimas agudas, graves, e esdruxulas, emparelhadas, ou alternadas.

«O pensamento humano
mergulhou como um Deus nas grutas do oceano,
embebeu-se no azul, andou pelo infinito,
interrogou a historia, os ventos, o granito,
todas as creações, todas as creaturas,
vermes, religiões, abysmos, sepulturas,
e disse-nos: Jesus, Socrates, Platão
fallaram a verdade. Existe uma rasão,
uma ideia, uma lei, mysteriosa, etherea,
que rege o movimento e as formas da materia...