Morte de D. João.—Introducção, pag. 31.
*
Musa em férias; Idilios e Satiras, pag. 137.
Julio Dantas, o brilhante poeta da Ceia dos Cardeaes tambem não adoptou a regra que a critica indigena pretende nacionalizar.
Xerez.
«Roma! Roma que viu, pela primeira vez,
Beneditto XIV, um papa,—a receber
Conselhos de Inglaterra e cartas de Voltaire!
............................................
«As cartas de Voltaire, honram!
... É natural
fala como francez.
... Fala como cardeal!
............................................
«Mas perdão... Não será politica de mais
para uma ceia alegre? Emfim trez cardeaes
não salvam Roma...
Como se vê, Julio Dantas, empregou successivamente dez agudos.
E esse arrojo do eminente poeta portuguez não impediu que a Ceia dos Cardeaes tivesse oito traducções em allemão, francez, italiano, hespanhol e no dialeto catalão, nem evitou que fôsse representada mais de quatrocentas vezes.
Entre os poetas brasileiros bastará citar dois nomes de primeira grandeza: Alberto de Oliveira e Goulart de Andrada; nenhum se submette á exigencia franceza da critica indigena.
A Cruz da montanha do primeiro é um poemeto de 126 alexandrinos. Em toda essa obra prima não ha dois versos agudos e apenas se encontra uma parelha de esdruxulos.
Observa-se o mesmo phenomeno em varias outras composições como—A Enchente, com 76 alexandrinos; a Lagarta, com 124 versos de vario metro, onde apenas ha 14 rimas agudas: Atmo, com 88 alexandrinos, entre os quaes apenas dois esdruxulos e nem um agudo.