Ruy
Mas porque?
Já tão cedo a sua alma angelica descrê
da minha que, arrastada á fimbria azul da sua,
por toda a parte a segue e a seu lado fluctua?
Não recorda, Talitha, o dia amargurado
em que eu entrei aqui perdido e quasi morto?
Não se lembra da noite em que eu fui condemnado?
Não se lembra talvez das horas de conforto
que os seus olhos sem luz e a sua bocca em flôr
me trouxeram a rir, como um remedio santo
da minha vida enferma á cruciante dôr?
Não recorda talvez que esse supremo encanto,
essa graça divina, aligera e bemdita
a vida me salvou?
Talitha
Não creio...
Ruy, curioso
É tão cruel!
Porque razão não crê, a minha alma fiel
simplesmente traduz o que a sua entendeu?
Talitha, com intenção
Só porque a sua mão na minha não tremeu.
Ruy
Entretanto, Talitha, eu amo-a...